Tema: "Pela Fé, Não Pela Lei"

Exposições em Gálatas  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Texto: Gálatas 3.1-14

Gálatas 3.1–15 NAA
1 Ó gálatas insensatos! Quem foi que os enfeitiçou? Não foi diante dos olhos de vocês que Jesus Cristo foi exposto como crucificado? 2 Quero apenas saber isto: vocês receberam o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? 3 Será que vocês são tão insensatos que, tendo começado no Espírito, agora querem se aperfeiçoar na carne? 4 Será que vocês sofreram tantas coisas em vão? Se é que, na verdade, foram em vão. 5 Aquele que lhes concede o Espírito e que opera milagres entre vocês, será que ele o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé? 6 É o caso de Abraão, que “creu em Deus, e isso lhe foi atribuído para justiça”. 7 Saibam, portanto, que os que têm fé é que são filhos de Abraão. 8 Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria os gentios pela fé, preanunciou o evangelho a Abraão, dizendo: “Em você serão abençoados todos os povos.” 9 De modo que os que têm fé são abençoados com o crente Abraão. 10 Pois todos os que são das obras da lei estão debaixo de maldição, porque está escrito: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da Lei, para praticá-las.” 11 E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque “o justo viverá pela fé”. 12 Ora, a lei não procede de fé, mas “aquele que observar os seus preceitos por eles viverá”. 13 Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar — porque está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro” —, 14 para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Cristo Jesus, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido. 15 Irmãos, falo em termos humanos. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta coisa alguma.

📍 Introdução

Imagine alguém que, tendo sido salvo de um naufrágio, decide voluntariamente voltar ao mar agitado para tentar salvar a si mesmo outra vez. É exatamente isso que os gálatas estavam fazendo. Paulo, com palavras fortes, pergunta: “Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou?”.
Essa porção das Escrituras é um chamado de volta ao evangelho puro, um alerta contra o legalismo e um testemunho claro de que a justificação é somente pela fé — desde Abraão até hoje.

💡 Ideia Central

A justificação diante de Deus sempre foi, e sempre será, pela fé, e não por obras da Lei.

🎯 Tese

Neste trecho, Paulo argumenta que a experiência dos gálatas, o exemplo de Abraão, o ensino das Escrituras e a própria maldição da Lei demonstram que a salvação vem exclusivamente pela fé e não pelo cumprimento da Lei.

🧱 Estrutura da Pregação

🪧 1. A insensatez de abandonar a fé pela Lei (v.1-5)

Repreensão forte: Paulo chama os gálatas de "insensatos", como que hipnotizados. João Calvino comenta que essa linguagem severa mostra o quão perigosamente eles se desviaram.
Cristo crucificado foi claramente exposto (v.1) – Como esquecer a centralidade da cruz?
Receberam o Espírito pela fé, não por obras (v.2) – Experiência espiritual autêntica como prova.
Aplicação: Muitos hoje começam com a graça, mas tentam se manter no favor de Deus pela performance religiosa. Isso é legalismo disfarçado.
Hernandes Dias Lopes diz: “O legalismo é um caldo mortífero... faz troça do sacrifício expiatório.”

🧱 2. A fé de Abraão como modelo da verdadeira justiça (v.6-9)

Abraão creu, e isso lhe foi imputado como justiça (v.6) – antes da Lei, antes da circuncisão.
Os que são da fé é que são filhos de Abraão (v.7) – Não linhagem, mas fé.
Escritura previu e anunciou o evangelho a Abraão (v.8) – O evangelho já estava em Gênesis!
Aplicação: Somos descendência de Abraão quando vivemos pela fé, não quando buscamos mérito.
Donald Guthrie observa que a escolha de Abraão aqui é decisiva para mostrar a continuidade entre AT e NT no plano da salvação pela fé.

🧱 3. A maldição da Lei e a bênção de Cristo (v.10-14)

Todos os que dependem da Lei estão debaixo de maldição (v.10).
A Lei exige obediência perfeita — algo que ninguém cumpre.
Cristo nos resgatou da maldição ao ser feito maldição por nós (v.13).
Aplicação: Quando tentamos agradar a Deus pelas obras, caímos debaixo de condenação. Só a cruz liberta.
Calvino escreve: “A Lei mostra o caminho, mas não concede força. Cristo é quem cumpre e liberta.”

🧱 4. A superioridade da promessa sobre a Lei (v.15)

Paulo usa uma ilustração: uma aliança firmada (como testamento) não pode ser anulada.
A promessa feita a Abraão é irrevogável — a Lei, dada 430 anos depois, não a invalida.
Aplicação: A graça de Deus é anterior e superior à Lei. Vivemos da promessa, não do merecimento.
Hernandes afirma: “A Lei não revoga a graça; ela apenas revela nossa necessidade da graça.”

✅ Aplicações Práticas

Volte à cruz: Se sua vida cristã tem sido uma tentativa de “merecer”, arrependa-se e descanse na obra de Cristo.
Lute contra o legalismo: Identifique os sinais do moralismo religioso na sua espiritualidade.
Glorie-se na fé, não na performance: Assim como Abraão, creia — e isso será justiça diante de Deus.
Pregue o evangelho completo: Um evangelho sem cruz, sem fé e com foco em regras, não é evangelho.

🏁 Conclusão

A salvação pela fé não é um plano emergencial de Deus, é o plano eterno. A cruz de Cristo é a ponte entre Abraão e a Igreja. A Lei nos conduz a Cristo, mas só a fé nos une a Ele.
Não sejamos insensatos como os gálatas. Permaneçamos na fé pela qual fomos salvos, confiando não em nós mesmos, mas naquele que foi feito maldição para que tivéssemos a bênção da vida eterna.
João Calvino encerra seu sermão sobre esse texto dizendo: “Cristo não morreu para que confiássemos em nós mesmos, mas para que não confiássemos senão nele.”
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